A deputada Luciane Carminatti (PT) participou, na noite de quinta-feira (21/5), de uma audiência pública na Alesc para discutir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 no Brasil. O debate ocorreu no Auditório Antonieta de Barros, por iniciativa da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, a partir de requerimento do deputado Marquito.
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A audiência reuniu parlamentares estaduais e federais, representantes sindicais, economistas e entidades empresariais para discutir os impactos sociais e econômicos da proposta, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
A deputada Luciane Carminatti ressaltou que chegou a hora de parar de normalizar o trabalho até a exaustão, tendo que abrir mão da família, do descanso e do direito de viver.
“O povo que trabalha depende de uma legislação mais justa, mais equilibrada. Algumas categorias já conquistaram o fim da escala 6X1. E vivem melhor, e conseguem viajar com a família, conviver com a comunidade, ler um livro, ouvir música, ter paz, sossego, alegria”, disse.
A deputada destacou que as mulheres sabem bem o que é uma jornada dupla e tripla, ver os seus filhos crescerem sem conseguir ir a uma assembleia de pais na escola para acompanhar o filho.
“As mulheres sabem o que é chegar à noite em casa e preparar a marmita do dia seguinte e pensar o que é que vai fazer para colocar comida na mesa e acompanhar a educação de seus filhos.”
E Luciane completou:
“Os trabalhadores e trabalhadoras de Santa Catarina estão unidos em uma só voz para dizer que a escala 6×1 precisa acabar. Na audiência pública da Alesc, o recado foi um só: quem move SC e o Brasil todos os dias quer uma jornada mais humana e digna!”
Debate nacional
A audiência contou com a presença do presidente da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a PEC, deputado federal Alencar Santana (PT-SP), que defendeu a criação de um marco legal para garantir a redução da jornada de trabalho.
“Todas as vezes que o trabalhador vai ganhar algo, existe resistência. Parece que tudo precisa ficar para depois”, afirmou.
Segundo ele, a redução da jornada representa uma conquista histórica da classe trabalhadora e precisa ser acompanhada de mobilização popular.
O parlamentar informou que o relatório da proposta deverá ser apresentado na próxima segunda-feira (25) na comissão especial da Câmara.
A previsão é de votação do parecer na quarta-feira (27) e, posteriormente, apreciação em plenário ainda neste mês.
O relator da PEC, deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA), destacou que a comissão percorreu diferentes regiões do país ouvindo trabalhadores, empresários e especialistas.
“Essa é a discussão mais democrática da história da Câmara, mais próxima das pessoas. Nossa obrigação é ouvir a todos para formar o melhor relatório possível para o Brasil”, declarou.
Movimento sindical defende qualidade de vida
A presidente da CUT em Santa Catarina, Anajúlia Rodrigues, afirmou que a redução da jornada é uma pauta histórica do movimento sindical.
“Estamos há 40 anos sem redução da jornada. Hoje os trabalhadores entendem essa necessidade como qualidade de vida, como vida além do trabalho”, disse.
Ela também destacou os impactos sobre as mulheres trabalhadoras.
“Nós mulheres temos jornada dupla, tripla, e muitas vezes não vemos nossos filhos crescerem. Precisamos de tempo para estudar, viver e conviver com a família”, afirmou.
Segundo Anajúlia, a redução da jornada sem redução salarial também pode gerar empregos e melhorar o desempenho dos trabalhadores.
“Muitas vezes as pessoas trabalham doentes e isso não aumenta a produção. O trabalhador com qualidade de vida produz melhor”, completou.